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CRÔNICA DA SEMANA

MISANTROPIA

          Passados já vários dias do provável ataque hacker ao sistema da defesa civil, até hoje ninguém sabe quem invadiu milhões de celulares brasileiros, seja para mandar avisos de tempestades fortes, seja apenas para lançar apenas a palavra misantropia.

         Me lembrei do famoso caso provocado pelo escritor americano Orson Welles, em 1938, contando a história de A Guerra dos Mundos pelo rádio e simulando uma invasão alienígena. Foi um pânico em massa. As pessoas ficaram desesperadas. Queriam fugir dos marcianos, sem saber bem para onde.

          Entretanto, o falso aviso inesperado da defesa civil não provocou nada. No meu celular veio o ataque de chuvas fortes. Como já era tarde, e eu já estava deitada para dormir, minha vida não mudou em nada. Fiquei até feliz que a tal chuva forte iria me pegar na cama.

           Para outras pessoas que receberam em suas telas somente a palavra misantropia também não significou absolutamente nada. Seja porque não sabiam o que significava misantropia, seja porque não entenderam coisa nenhuma. O que me leva à conclusão que até para provocar pânico, as pessoas têm de ser minimamente inteligentes como um Orson Welles.

       O possível misantropo, que tem tanto ódio pela humanidade, deve ter percebido que não se consegue espalhar ódio pelo celular só com uma palavra. Ou seja, o fato dele ou sua mensagem existir não alterou a vida de alguém. Só podemos lamentar que esse misantropo se deu ao trabalho de hackear tantos celulares à toa. Creio que agora ele ainda vai ficar com ainda mais ódio de todos nós.

        Li em algum lugar que, pelo menos, algumas pessoas pesquisaram sobre o significado de misantropia e  assim aprenderam algo. Se lessem O Misantropo do escritor francês Molière eu ficaria ainda mais feliz. Afinal, o destino do personagem chamado Alceste teria muito a ensinar aqueles que pensam que são os donos da verdade e que o resto do mundo não serve para nada.

        Não entendo bem como alguém possa ser misantropo. Não há como escapar. Vivemos em sociedade e a solidão absoluta e voluntária é algo terrível. Minha sugestão ao misantropo é que já que ele acha que a humanidade não presta, faça algo para ajudar a melhorá-la. Da próxima vez, use esse imenso poder de falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e explique o significado da palavra empatia. Será muito bom para ele mesmo e para tanta gente que se elege, trabalha em Brasília e não dá a mínima para o povo brasileiro.

SP 30/06/2026

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